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Ética: um insumo valioso para a competitividade das indústrias Fonte: G1, 29/05/2019

O Brasil perdeu posições no ranking mundial da transparência. Programas de compliance ajudam a criar ambiente mais saudável para os negócios

Preço, qualidade, valor agregado: estes são alguns dos pontos importantes para os consumidores na hora de comprar um produto ou serviço. Mas não é só isso. Cada vez mais a ética também é percebida como elemento fundamental nas relações de produção e consumo. Trabalhar dentro das normas, seguir a legislação e apresentar políticas claras de concorrência, sustentabilidade e empregabilidade são parte das ações que tornam uma empresa íntegra. Diante disso, as organizações estão cada vez mais preocupadas em atuar de forma correta, e encontram no compliance as ferramentas necessárias para recuperar o fôlego.

Rodrigo Zani, gerente de Riscos & Compliance do Sistema Fiep, explica melhor: “o conceito está relacionado ao conhecimento das normas da organização, ao cumprimento dos procedimentos recomendados, à atuação em conformidade com leis e normas, e à manutenção da ética e idoneidade em todas as atitudes”.

O compliance é como um guia de boas práticas para os negócios. Demanda atendimento às normas emitidas por agências e órgãos de regulação e fiscalização - tais como Anac, Anatel, Anvisa, entre outros -, o cumprimento à legislação ambiental, às normas ISO e às de segurança e saúde no trabalho, ao Código de Defesa do Consumidor e aos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU).

- Compliance na indústria:

Para fortalecer essas relações e criar um ambiente saudável de negócios, o Sistema Fiep trabalha disseminando a cultura da ética, da transparência e do combate à corrupção junto às organizações. É o caso da Arauco, fabricante de painéis de madeira com sede em Curitiba, onde a área de compliance foi implantada em 2015. Matheus Garcia Monteiro, gerente de Auditoria Interna, conta que o objetivo inicial era cumprir as normas exigidas pela matriz, no Chile. “Depois passamos a fazer adequações e padronização dos critérios para atender a todos os países onde a empresa atua”, diz. Hoje a Arauco observa ganhos operacionais em processos automatizados, resultados mais transparentes nas áreas de negócio e orgulha-se de nunca ter passado por qualquer prática corrupta. “Esperamos manter este status. Trabalhamos forte em campanhas, controles e ações para prevenir a corrupção”, conclui Monteiro.

- Desafios do compliance no Brasil:

Segundo pesquisa realizada pela consultoria KPMG, o nível de maturidade das empresas em relação ao tema cresce gradativamente. No segundo semestre de 2017, 91% das empresas revelaram que já iniciaram a implantação de programas próprios. O índice é maior que o da primeira pesquisa, quando 81% das empresas informaram já ter adotado práticas de compliance.

O sócio da KPMG, Alexandre Martins, sinaliza que o processo é longo e precisa de apoio interno, especialmente das diretorias. “Mesmo as empresas que revelam já ter iniciado este processo admitem que há muito trabalho a ser feito até que efetivamente o compliance esteja funcionando em sua totalidade. A alta cúpula deve estar convencida de que a adoção de mecanismos de integridade é necessária e importante. Sem isso, o programa tem alto risco de não funcionar”, alerta Martins.

Outro entrave refere-se ao orçamento: em média, as empresas investem R$ 1 milhão por ano em compliance, segundo a KPMG. A verba varia de acordo com o porte e as relações com o mercado: “uma organização que tem muita interface com o poder público está mais suscetível e, portanto, terá que implantar uma estrutura mais robusta, pois naturalmente estará exposta a maiores riscos”.

- Brasil perde posições no mapa mundial da transparência:

Dados divulgados pela ONG Transparência Internacional - Brasil mostram que o país perdeu nove posições no ranking de integridade. O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) existe desde 1995, reúne resultados de mais de 180 países e indica o nível percebido de corrupção no setor público numa escala de 0 a 100. Em 2018, o Brasil ocupou a 105ª posição - a pontuação é de 35 e está bem distante do índice máximo (100), que revela quais países são vistos como livres da corrupção. A Dinamarca, por exemplo, ocupa o topo do ranking com 88 pontos.

A baixa colocação mostra que o país precisa de mudanças na cultura de negócios. A imagem ruim perante o mercado internacional também prejudica importações e exportações, áreas bastante sensíveis para o setor industrial.

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